história - Restaurante Miquelina - Paredes de Coura

Ir para o conteúdo

Menu principal:

RESTAURANTE MIQUELINA

 

Atualmente gerido num ambiente familiar pelo Sr. Carlos Teixeira, que conta com a colaboração da esposa D. Ana Paula, responsável pelas iguarias tradicionais que serve aos clientes, com um toque de requinte que só ela sabe dar…


Miquelina tem uma longa história. Comecemos pelo princípio. Diz Narcizo Alves da Cunha na sua monografia, quando fala de uma viagem ao monte Carvalhal: "No regresso viemos ao moinho do Túmio para tomarmos em Cunha o carro que nos levará à Vila, onde nos espera a hospedagem da senhora Miquelina que manda servir aos seus hóspedes abundantes e suculentas refeições, quer que a sua clientela coma bem".

Mas afinal quem era esta afamada cozinheira? Miquelina Rosa de Azevedo nasceu em 1852 na freguesia de Ferreira. Anos mais tarde viria a casar com o negociante José António Rodrigues. A sua atividade hoteleira começou com uma pequena casa de vinhos e petiscos. Em 1891, o casal construiu o edifício onde hoje conhecemos o Restaurante "Miquelina". Cedo os dotes culinários de Miquelina deram que falar e, em busca das melhores iguarias convergiam para o "Hotel" (assim foi vulgarmente conhecida a casa durante décadas e décadas) clientes de todo o Norte de Portugal e da vizinha Galiza. Deve lembrar-se que Paredes de Coura era ponto obrigatório de passagem das diligências que se dirigiam de Sul para a Galiza e vice-versa.

Em 1900 faleceu José Rodrigues, tendo a viúva recorrido aos préstimos do irmão Amaro e, claro, das dedicadas empregadas Maria Brandão e Rosa Virges. Uma vez que Miquelina Azevedo não tinha descendentes viria a deixar o seu património a estas empregadas, reconhecendo o labor que as suas funcionárias haviam desenvolvido em prol da casa. Faleceu em 16 de Janeiro de 1926 - altura em que as novas proprietárias assumiram a gerência. Os anos que se seguiram ao desaparecimento de Miquelina não foram famosos, pois durante a gerência dos seus herdeiros reinou o mal-estar e a indisciplina. A casa perdeu notoriedade.

Em 1928, João Barbosa, natural de Cossourado, com larga experiência no ramo hoteleiro e que ficaria conhecido como ‘João do Hotel’ assumiu com acerto e rigor a gerência da "Miquelina", Dinamizando e reafirmando a inigualável cozinha da casa.

Mas outra viragem viria a acontecer na história da casa. E é aqui que surge Quitéria Rosa da Rocha Barbosa. Com a morte prematura da esposa (Maria Brandão), João do Hotel casa com Qui´teria Rosa e então surge uma nova época em que a "Miquelina" resplandece como nunca. João e Quitéria alargam a fama da casa a todo o país. Quitéria faz do bacalhau e da famosíssima carne assada os ‘reis’ de Coura. João do Hotel morre em 1982 sem deixar, um dia que fosse, de acompanhar as lides da pensão e do restaurante, com a paixão de sempre.

Atualmente, sobre a gerência de Carlos Teixeira, o restaurante continua bem vivo e  mantém os famosos ex-libris 'Bacalhau à Miquelina' e do 'Cabrito Assado' com toda a qualidade e tradição dos tempos .

A Miquelina é parte significativa da seiva que tem alimentado a identidade de Paredes de Coura. Nela sempre se cruzaram classes sociais, sem preconceitos de qualquer espécie. Os mais humildes lavradores das aldeias por lá se sentavam na mesma mesa dos mais abastados e letrados. Diz-se até que Aquilino Ribeiro terá escrito grande parte da sua "Casa Grande Romarigães" na mesa do fundo, à esquerda, junto à cozinha.

Resultado da adaptação aos novos tempos, o restaurante Miquelina dispõe de serviço Take Away e Catering e procura inovar com introdução de novos produtos servidos com qualidade e requinte.


 
Voltar para o conteúdo | Voltar para o Menu principal